“Crentes não são Abraãos”: John Spilsbery e Nehemiah Coxe sobre o problema dos “filhos da aliança”.

O argumento, em uma casca de noz, é simplesmente este: Deus estabeleceu sua igreja nos tempos de Abraão e colocou as crianças nela. Elas devem permanecer ali até ele as tirar.

B. B. Warfield, The Polemics of Infant Baptism, in: Studies in Theology, vol. 9, p. 408.

*

Os “Filhos da Aliança”

O entendimento pedobatista acerca do batismo de filhos de crentes passa, necessariamente, pela defesa do conceito de “filhos da aliança”. O conceito carrega a ideia de que os filhos de cristãos participariam, de alguma forma, em virtude da relação pactual de seus pais, da nova administração da aliança da graça, tal como os filhos dos hebreus participavam da velha administração da aliança da graça em virtude da relação pactual de seus pais. Calvino assim o coloca, por exemplo, entre afirmações e indagações:

Se a razão há de ser ouvida, se verá indubitavelmente que o batismo é apropriadamente administrado aos bebês como algo devido a eles. O Senhor não outorgou a circuncisão sobre eles, antigamente, sem fazer deles partícipes de todas as coisas significadas pela circuncisão. Ele teria iludido seu povo com simples impostura, se os tivesse aquietado com símbolos falaciosos: essa ideia mesma é escandalosa. Ele distintamente declara que a circuncisão do bebê lhe será no lugar de um selo da promessa da aliança. Mas se a aliança permanece firme e fixa, ela não é menos aplicável aos filhos de Cristãos no tempo presente do que aos filhos de Judeus debaixo do Antigo Testamento.

Institutas, IV, 16, 5.

Continuar lendo

John Tombes: Biografia e Breve Catecismo Sobre Batismo (III)

No primeiro artigo da série sobre John Tombes, acompanhamo-no de seu nascimento, em Bewdley, ao seu retorno à terra natal. No segundo artigo, discutimos a duplicidade eclesiástica presente em figuras importantes do século XVII, como Benjamin Cox e John Tombes, que, ao voltar à Bewdley, pastoreou uma igreja separatista mesmo atuando, ainda, na igreja oficial. Agora, veremos Tombes buscando a estabilidade financeira e se engajando em uma importante controvérsia com Richard Baxter, tema que será melhor explorado no artigo final desta série.

 

O Batista de Bewdley

A. J. Klaiber oferece um bom resumo da trajetória de Tombes até aqui:

[…]. A igreja de Bewdley, entretanto, deveu sua fundação a um nativo da cidade, um certo John Tombes, filho de pais pobres que, após passar pela escola local de gramática, ingressou no Magdalen College, Oxford, aos quinze anos. Aos vinte e um, ele foi escolhido pregador catequético público. Ele se tornou vigário de Leominster, mas fugiu para Bristol quando da eclosão da Guerra Civil. Depois da tomada de Bristol pelos Realistas, ele fugiu para Londres e foi indicado ministro em Fenchurch. Aqui, ele se recusou a permitir o batismo de bebês em sua igreja e foi, consequentemente, privado de seu estipêndio. Sob promessa de não introduzir a controvérsia batismal no púlpito, ele foi feito pregador de Temple, mas em 1645 foi demitido por publicar seu primeiro tratado sobre batismo infantil. Em 1646 ele retornou a Bewdley e foi escolhido ministro da capela de St. Anne, uma chapel of ease¹ de Ribbesford, onde ele não seria obrigado a cristianizar.² Aqui, ele publicou seu Apology for the Two Treatises on Infant Baptism, no qual ele escreve que “precisa dizer que igrejas que não tem nenhum outro Batismo senão o de Infantes, não são igrejas verdadeiras, nem seus membros, membros da igreja.” Ele então fundou uma igreja Batista separatista na cidade, contando com vinte membros, enquanto continuou a exercer a curadoria da capela de St. Anne. Todas as igrejas fundadas por Tombes foram, acredita-se, do tipo de comunhão aberta.

Baptists at Bewdley, pp. 116-117.

¹ Vf. definição de “chapel of ease” na n.5 do primeiro artigo.

² i. e., batizar.

Continuar lendo

the many-headed monster

the history of 'the unruly sort of clowns' and other early modern peculiarities

The Virtue Blog

Blogging about the good life. Host of podcast, Sacred and Profane Love.

Pactualista

Subscrevendo a Confissão de Fé Batista de 1689

Crawford Gribben

On Puritan and evangelical history and writing

Queens' Old Library Blog

Rare Books and Manuscripts at Queens' College - University of Cambridge, UK

Petty France

Reviving the voices of the Particular Baptists, and other interesting bits and pieces of 17th-century literature.

Reformed Baptist Academic Press

Uma imersão em Patrística Batista

Contrast

The light shines in the darkness, and the darkness has not overcome it

IRBS Theological Seminary

Training Ministers to Preach the Gospel (2 Timothy 2:2)

HangarTeológico

Uma imersão em Patrística Batista

The Confessing Baptist

Uma imersão em Patrística Batista

Reformed Libertarian

Reformed Theology | Libertarian Polity

Reformed Baptist Fellowship

Reformational, Calvinistic, Puritan, Covenantal, Baptist

Reformed Baptist Blog

Uma imersão em Patrística Batista