.: O incêndio de Londres (1666) e a Igreja Batista de Petty France :.

O texto diz pouco mais que o título, mas não deixa de ser interessantíssimo.

O incêndio de Londres destruiu tantas igrejas paroquiais que mãos violentas se lançaram sobre algumas das casas de encontro (meeting-houses) erigidas por Batistas, e elas foram apropriadas para uso paroquial. Aparentemente, a casa de Petty France, e certamente a casa de Bishopsgate, em Devonshire Square, foram assim roubadas de seus donos por alguns anos. É uma mostra da crescente confiança das igrejas [batistas] que o pessoal de Kiffin tenha aberto um novo livro para seus registros, o qual, dali em diante, permaneceu em uso regular.

Whitley, A History, p. 116.

O incêndio de Londres foi avassalador. Só não foi pior, talvez, do que a Peste de 1665, semi-fantasiada por Daniel Defoe, um puritano, no delicioso Um diário do ano da peste. Pois bem, sempre alguém me pergunta por que o governo tolerava igrejas sectárias, como as batistas, mesmo sabendo de sua existência e localização. Voilà! Para poder usufruir de suas dependências quando conveniente. Petty France, que tinha Nehemiah Coxe como um de seus pastores, chegou a comportar 600 membros. Minha dúvida é onde esse pessoal se reuniu nesses anos de criptobatistismo. Espero que Sam Renihan nos explique em sua trilogia vindoura sobre Petty France.

*

WHITLEY, W. T. A History of British Baptists. London: Charles Griffin & Company, 1923.

Foi John Milton um Batista?

Nor after ressurrection shall he stay
Longer on earth than certain times to appear
To his disciples, men who in his life
Still followed him; to them shall leave in charge
To teach all nations what of him they learned
And his salvation, them who shall believe
Baptizing in the profluent stream, the sign
Of washing them from guilt of sin to life
Pure, and in mind prepared, if so befall,
For death, like that which the redeemer died.

*

Depois de ressurgir não ficará
Na terra mais que um tempo p’ra surgir
Aos discípulos, homens que o seguiram
Em vida; e uma grande comissão
Lhes dará, de ensinarem às nações
A sua salvação. E quem crer nele
Batizarão em cursos de água, símbolo
De pecados lavador, p’ra uma vida
Pura, e preparado no seu espírito
P’ra morrer a morte do redentor.

 

John Milton, Paradise Lost, Livro XII, vv. 436-445.

 

John Milton (1608-1674), como se sabe, foi um dos maiores poetas de língua inglesa do século XVII, autor do célebre épico Paraíso Perdido. Assim como John Bunyan, Milton foi e ainda é envolto em polêmicas e incertezas religiosas. Dois grandes expoentes literários, duas grandes incógnitas teológicas. Christopher Hill, consagrado historiador do século XVII, é da opinião de que

Milton e Bunyan me parecem ser, respectivamente, o maior poeta e o maior prosador da Inglaterra setecentista, embora Milton também tenha sido um grande escritor de prosa e os versos de Bunyan, especialmente seus versos satíricos, são melhores do que geralmente se reconhece.

The English Bible, p. 371.

W. T. Whitley, no apêndice de sua obra A History of British Baptists, referenciado como “Nota C”, intitula a seguinte pergunta: “EM QUE SENTIDO ERA JOHN MILTON UM BATISTA?”. O tópico surge, no livro de Whitley, um tanto fora de curso, com um tempero quase de curiosidade, e por isso mesmo foi lançado nos apêndices. Talvez a questão não ultrapasse a barreira do simples diletantismo, mas não deixa de ser, por isso mesmo, instigante.

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