O “Manuscrito Kiffin” (MS K)

Este documento erige a história dos primeiros Batistas Particulares de Londres, de 1633 à publicação da Confissão das Sete Igrejas, em 1644. Foram aqueles que lideraram esse grupo de igrejas, e Kiffin entre eles, que foram responsáveis por um programa nacional de evangelismo, plantação de igreja e desenvolvimento de associações durante o período dos 1640 tardios e 1650.

B. R. White, Who Really Wrote the “Kiffin Manuscript”?, p. 8.

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O assim chamado “Manuscrito Kiffin”, doravante MS K, é um dos documentos conhecidos mais importantes para o estudo histórico das origens batistas a partir da tese separatista-puritana. Apesar de todas as suas limitações, é um documento que registra o advento da prática imersionista entre os batistas e o surgimento daquelas que seriam, mais tarde, chamadas de Igrejas Batistas Particulares. Pretendo oferecer um breve histórico desse documento e, ao final, uma tradução do mesmo para a língua portuguesa.

A menção inaugural do manuscrito se deu no The History of the English Baptists, de Thomas Crosby. Há muitos problemas envolvidos na citação elaborada por Crosby do suposto manuscrito, mas isso merece uma atenção especial em outro momento. Por ora, eis a certidão de nascimento do manuscrito nos livros de história batista:

Isso está de acordo com um relato dado sobre a questão em um manuscrito antigo, que diz-se ter sido escrito pelo Sr. William Kiffin, que viveu naqueles tempos e era um líder entre aqueles daquela inclinação.

English Baptists, vol. 1, p. 101.

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Uma resposta sucinta a Timothy LeCroy

É comumente admitido que havia essencialmente dois pontos de vista sobre o batismo na Reforma: aquela dos Reformadores, que era o batismo infantil; e aquela dos Anabatistas sectários, que era o batismo de adultos. Mas um exame mais detalhado revela que o pensamento dos próprios Pedobatistas, já do início da Reforma, é também dividido por uma diferença de opinião que vai bem mais fundo do que a questão se bebês devem ou não ser batizados.

Paul K. Jewett, Infant Baptism & the Covenant of Grace, p. 78.

Críticas preguiçosas merecem respostas sucintas. E duras. É o caso da crítica histórico-teológica ao credobatismo proferida recentemente por Timothy LeCroy, no Theopolis Institute. Ao longo de meus estudos, vi um número muito considerável de críticas bem elaboradas e refinadas por parte dos pedobatistas. Não é o caso aqui. Mas cumpre dizer, logo de início, que respeito a teologia pedobatista e a considero válida (embora não verdadeira). Cabe o diálogo. O que não é tolerável é que o debate seja capitaneado por homens que distorcem vulgarmente os dados históricos e criam espantalhos de seus interlocutores.

Como se sabe, Peter Leithart é fundador e patrono do Theopolis Institute. Leithart é uma dessas mentes brilhantes, mas dadas a excessos indigestos. Leithart acumula diversos insights histórico-teológicos, mas pisa fora das quadras ortodoxas ao esgrimar sua teologia da aliança, recentemente conhecida como Federal Vision.  É espantoso, dada sua erudição, que textos de calibre delgado como este, de Timothy LeCroy, ganhem espaço em sua página.

Copio e traduzo em vermelho, abaixo, os trechos que pasmam por sua imprecisão, erro ou má fé.

[…]

Onde não há uma forte lógica bíblica, ou, onde fortes defesas poderiam ser feitas de ambos os lados, o precedente da tradição da igreja deveria ter peso na tomada da decisão. 

Tal é o caso com o batismo infantil. Ambos credobatistas e pedobatistas apresentam argumentos bíblicos de que estão plenamente convencidos. Assim, a tradição da igreja é frequentemente trazida à discussão para emprestar gravidade ao apoio de um lado ou outro. 

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.:Indicação:. English Baptist Roots (James Renihan)

Quero indicar, com bastante ênfase, a seguinte aula do Dr. Renihan, especialmente para aqueles que estão se introduzindo nos estudos históricos batistas. Seu foco aqui é a formação dos batistas particulares, a qual, nesta aula, se confunde com o processo da restauração da imersão na Inglaterra.

Dr. Renihan diz, em certo ponto, que dedicou anos ao estudo dos batistas particulares, o que lhe rendeu sua tese de doutorado. Essa tese foi publicada sob o título de Edification and Beauty: The Practical Ecclesiolgy of the English Particular Baptists, 1675-1705. Como o subtítulo esclarece, seus estudos não versaram exatamente sobre as origens dos batistas particulares, embora seja esse o tema do primeiro capítulo do livro. Seu foco, antes, são as práticas eclesiásticas (governo, sacramentos, disciplina etc) e a teologia por detrás dessas práticas no lapso de tempo proposto.

Seja como for, a aula é excelente como introdução ao tema.

 

English Baptist Roots, por James M. Renihan

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RENIHAN, James M. Edification and Beauty: The Practical Ecclesiolgy of the English Particular Baptists, 1675-1705. Eugene: WIPF & STOCK, 2008. 

 

A batalha pela designação “batista”

Em nosso exame, o Governador nos acusou com o nome de Anabatistas, ao qual eu respondi: Eu rejeito o nome, eu não sou nem um Anabatista, nem um Pedobatista, nem um Catabatista; ele me disse, apressadamente, que eu era todos.

John Clarke, Ill News from New England, or A Narrative of New-Englands Persecution. Londres, 1652, p.5

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Nomes e conceitos importam. Eles trazem consigo uma carga semântica sobre a qual muitas vezes não temos controle. Em determinadas ocasiões, é preciso uma verdadeira refrega para conquistar uma identidade desejada sob a alcunha desejada. É o caso do termo “batista”. Não é possível precisar quando o termo “batista”, enquanto designante do grupo de cristãos que praticava o credobatismo imersivo, foi cunhado e colocado em voga. O que temos são algumas incidências, às vezes mais ou menos satisfatórias, dessa palavra.

Robert B. Hannen, em seu artigo Historical Notes on the Name “Baptist”, faz algumas observações relevantes que merecem referência.

Thomas Helwys, que liderou uma minoria de volta à Inglaterra por volta de 1612, usou o título ‘A Igreja de Cristo’ em sua confissão daquela data, e esse nome não-inflamante foi usado repetidamente por outros na história subsequente do movimento. Alguns dos nomes preferidos foram ‘Igrejas que são comumente (embora falsamente) chamadas Anabatistas,’ ‘Congregações reunidas segundo o Padrão Primitivo,’ ‘Cristãos (batizados sob Profissão de sua Fé)’ e ‘Crentes Batizados.’ Nem mesmo uma das confissões do século XVII usa o nome “Batista” como um título descritivo. (…)

O que é geralmente conhecido como os Registros de Broadmead, Bristol, foram intitulados, de fato, “Os Registros de uma Igreja de Cristo,” e sua correspondência parece ter seguido essa forma. (…)

O estilo muda, entretanto, em comunicados endereçados a oficiais públicos, pois neste caso alguma especificidade tinha que ser introduzida para distinguir um grupo de Cristãos de outro. Ainda assim, o nome “Batista” não é usado, mas “igrejas batizadas” ou “aqueles que são chamados Anabatistas”.

(Historical Notes, p. 63.)

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