Batismo e profissão de fé: Identidade ontológica ou alteridade simbólica?

[…] de forma que, se não há batismo em Cristo, então não há confissão de Cristo, segundo esta prescrição, Mt 28:19; 1 Cor 12:13; Gl 3:27; Rm 6:3; Ef 4:5; Lc 7:30.

John Spilsbery

*

Há poucos dias, no Facebook, surgiu a pergunta: “Qual texto bíblico afirma que o batismo é uma profissão de fé pública?”.

                       

Como o próprio autor da questão esclareceu mais tarde, subjaz à pergunta uma visão de profissão e batismo como manifestações distintas e dissociadas, e a indagação foi motivada por uma dificuldade de entender o batismo enquanto profissão de fé (i.e., identidade ontológica):

                         

Na sequência, o tópico suscitou uma discussão sobre a confessionalidade e historicidade da visão de que o batismo é uma profissão pública de fé, o que levou ao questionamento se essa visão era familiar ou estranha à Patrística Batista e ao puritanismo de seu contexto, tratando-se de doutrinas póstumas ligadas a uma visão simbolista do batismo.

                       
                     

Tive a oportunidade de conversar individualmente com o Henrique Botini, que me esclareceu que não tinha nenhuma intenção de questionar a visão do batismo enquanto profissão de fé durante o século XVII, mas sim de propor que a visão do batismo somente enquanto profissão de fé, privado de benefícios espirituais concretos, seria alheia aos puritanos e à Patrística Batista, no que eu julgo que ele está correto.

*

Uma resposta objetiva à pergunta inicial poderia ser elaborada a partir de uma leitura de Atos 22:16 e de Atos 8:36-38 como prática normativa.

E agora, por que te demoras? Levanta-te, recebe o batismo e lava os teus pecados, invocando o nome dele.

Atos 22:16

E, indo eles caminhando, chegaram ao pé de alguma água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. E mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou.

Atos 8:36-38

Mas, considerando o que se perde ao reduzir a questão a versículos-prova e as dúvidas que a exegese possa querer lançar sobre eles, creio que é interessante explorar um pouco mais o tema. Como é consabido, inúmeras doutrinas resultam de um esforço hermenêutico (bíblico, conceitual, histórico) para criar um quadro coeso de ideias e práticas. O batismo como profissão de fé depende, naturalmente, desse esforço, por isso é muito pouco profícuo indagar “o texto bíblico” usado para comprovar essa ideia. Trata-se, portanto, de um constructo teológico – das mesma forma, aliás, que a doutrina do batismo infantil. 

O objetivo deste artigo é simples e despretensioso. Pretendo (I) oferecer alguns argumentos contemporâneos sobre a visão de que o batismo pode ser entendido como profissão de fé; (II) Demonstrar que a ideia do batismo como profissão de fé não é alheia aos batistas do século XVII. Minha única intenção aqui é oferecer a voz de outros autores que podem contribuir com a discussão. Conforme, ao longo de minhas leituras, me deparar com outras instâncias que toquem esse tema, pretendo expandir este artigo incluindo os demais autores. 

 

Bobby Jamieson: “Quando a fé se torna pública”

Primeiramente, um exemplo recente. Em 2015, Bobby Jamieson, pastor auxiliar na Capitol Hill Baptist Church, publicou sua importante obra Going Public: Why Baptism Is Required for Church Membership. O subtítulo da obra deixa claro qual é a tese central do livro. Contudo, Jamieson percorre um longo caminho teológico a fim de defender sua posição e, entre outras coisas, argumenta precisamente que o batismo deve ser entendido como uma profissão pública de fé. O batismo, diz, é “quando e fé se torna pública”. 

O primeiro argumento de Jamieson remete ao evento de Pentecostes, colocando o leitor na pessoa de um dos judeus presentes:

Quando Pedro termina seu sermão extemporâneo, você interpela ele e seus amigos, ‘Irmãos, o que hei de fazer?’.

Pedro responde, ‘Arrependam-se e sejam batizados, cada um de vocês, em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos seus pecados, e vocês receberão o dom do Espírito Santo […]’.

Pense sobre o que o batismo significa neste contexto. Você está em uma multidão de Judeus, alguns dos quais pediram pela execução de Jesus há apenas algumas semanas. Os discípulos de Jesus protagonizam um espetáculo público. E eles estão conclamando outros a se juntarem a eles, bem na frente de todos, por meio da crença em Jesus e do mergulhar nas águas. Voltar-se para Jesus em fé e batismo é identificar-se com ele e seus seguidores e se distanciar daqueles que o rejeitam.

Going Public, p. 37.

Jamieson referencia, a este respeito, a obra de G. R. Beasley-Murray, Baptism in the New Testament. Seu argumento é que o batismo é a forma pela qual os cristãos se identificam, não para si mesmos, mas para os outros, em meio aos outros. Outras passagens interessantes complementam o argumento de Jamieson:

No Novo Testamento, todos os cristãos são batizados, e todas as evidências que nós temos apontam para o fato das pessoas sendo batizadas assim que abraçavam o evangelho. Depois de confiar em Cristo, o batismo é a primeira coisa que um crente faz. É como a fé se torna pública.  […]

O Batismo faz da fé algo visível; concede ao crente, à igreja e ao mundo algo para o qual olhar. Quando você confia em Cristo, você torna essa decisão visível no batismo. Isso ajuda a explicar porque os autores do Novo Testamento frequentemente falam do batismo de formas que poderiam ser tomadas como indicativo de que as bênçãos da salvação vêm por meio do próprio batismo. Quando eles queriam se referir à conversão como um todo unificado, os autores do Novo Testamento frequentemente empregam o batismo como atalho para a coisa toda. 

Considere Gálatas 3:26-27. […] Estaria Paulo dizendo que nós somos feitos filhos de Deus pela fé, mas somos unidos a Cristo somente no batismo? Estaria ele parcelando os componentes da nossa salvação e atribuindo alguns à fé e alguns ao batismo? É claro que não; isso estaria em contradição com todo seu argumento. Em vez disso, ele está usando “batismo” e “fé” de forma intercambiável […]

Enquanto tal, o batismo é a personificação visível de uma guinada decisiva de alguém, do pecado para Cristo. É uma forma simbólica de dizer diante de Deus, à igreja e ao mundo, “eu renuncio meu modo de vida anterior, arrependo-me dos meus pecados e confio em Cristo somente para salvação”. 

Idem, pp. 38-43, passim

O argumento de Jamieson é bastante simples. O batismo é a forma pela qual Cristo é professado por aquele que decidiu segui-lo. Corroborando sua tese, é relevante notar que Pedro nunca disse aos judeus em Pentecostes que eles deveriam a) se arrepender, b) se batizar e c) fazer uma profissão de fé pública. O batismo, em si, comporta o elemento da profissão de fé. 

 

Hercules Collins: “confissão visível” e “sinal vivo”

Quanto ao segundo ponto, tratarei da questão confessional mais adiante. Por ora, vale a pena investigar os conceitos e o vocabulário empregados pelos batistas do século XVII ao discorrerem sobre o significado do batismo. Um caso interessante é o de Hercules Collins. Em sua obra Believer’s Baptism from Heaven, and of Divine Institution, Collins afirma que

[…] o Batismo é uma representação viva da Regeneração, portanto só pode agir sobre Crentes. O Apóstolo alude ao Batismo quando fala do lavar da regeneração, Tito 3:5. O significado é que a Ordenança é um Emblema, Símbolo e Sinal vivo da Regeneração e do Novo Nascimento. Aos Colossenses (2:12), o Apóstolo lhes diz que seu Batismo exibia e manifestava¹ o estarem mortos e terem sido ressurretos com Cristo pela fé […]

¹No original, “did exhibit and show forth“. Uma outra tradução possível, que corroboraria ainda mais o nosso argumento, seria “proclamava”.

Believer’s Baptism, p. 26.

O interessante do texto é que a passagem em questão, Cl 2:12, não explicita que o batismo “exibia e manifestava [ou proclamava]” a verdade do evangelho. Isso é uma interpretação do Collins, que vê no sacramento uma forma de profissão, de fala simbólica e silenciosa. Collins nos faz pensar, portanto, no batismo não apenas como um símbolo com um significado em si, mas com uma mensagem a ser transmitida, proclamada e assimilada por quem o contempla. Nesse caso, a mensagem do batismo seria a própria profissão de fé no Cristo ressurreto. 

Em seu célebre An Orthodox Catechism, vemos Collins mais uma vez endereçando a questão:

P. Qual é a forma e finalidade desta Ordenança?

R. Os Ministros de Cristo impondo suas mãos solenemente sobre a Cabeça do Batizando, com Oração ao Deus Todo Poderoso por um acréscimo das Graças e Dons do Espírito Santo, para nos habilitar a permanecermos firmes na Fé que nós agora confessamos¹ visivelmente, havendo entrado na Igreja pelo Santo Batismo, e também sermos auxiliados, assim, a mantermos uma Guerra constante contra o Mundo, a Carne e o Diabo. 

¹ No original, “which we now visibly own“. Outras traduções possíveis seriam “reconhecemos”, “professamos”, “admitimos”. Nenhuma dessas traduções minimiza a força da ideia aqui transmitida.

Orthodox Catechism, p. 34

Collins nos diz, portanto, que a porta de entrada na igreja é o batismo, que nada mais é do que uma “confissão visível”, ou uma “admissão visível”, ou “proclamação visível” da fé. 

 

John Spilsbery e o batismo como profissão de fé

Spilsbery, batista da primeira geração de Particulares, nos fornece outro exemplo relevante que indica a presença evidente da noção de batismo como profissão de fé entre os batistas do século XVII. Em pelo menos duas ocasiões, Spilsbery se manifesta sobre a relação entre batismo e profissão de fé em seu tratado The Saints Interest by Christ in all the Priviledges of Grace (constitutivo da obra God’s Ordinance, the Saints Priviledge). A primeira aparece de forma pontual, sumária e inconfundível:

Tire de um homem sua fé, ou sua profissão de fé, e não há nenhum nome encontrado para esse homem na nova Aliança de Cristo, Ap 22:14; Hb 3:1; Hb 10:22-23. Ninguém deve ser reconhecido, seja por Deus ou pelos homens, como membros de Cristo, se não estiverem debaixo de uma profissão de fé dele; como aparece em Mt 10:32-33; 1 Jo 4:3. E não há, agora, nenhuma profissão de Cristo segundo a regra de sua Palavra sem o Batismo, Mt 28:19; Marcos 16:16; Lc 7:30; Gl 3:26-27; Ef 4:5.

Saint’s Interest, p. 23.

A segunda instância desse pensamento aparece de forma mais elaborada, na “Questão 6” da obra, que investiga

Se Cristo exige ou não uma confissão pública de si da parte de todos que creem nele; e, se ele o faz, então qual é ela e qual a Regra para tal. 

Agora, que Cristo exige uma confissão pública de si da parte de todos que creem nele é tão claro nas Escrituras que, suponho, ninguém que crê nas Escrituras irá negá-lo, Mt 10:32-33, Jo 12:42-43, Rm 10:9-10, 1 Jo 4:2-3. 

Mas, para um esclarecimento mais pleno desta verdade, duas coisas devem ser ponderadas:

  1. O que queremos dizer com crer em Cristo.
  2. O que [queremos dizer] com confissão de Cristo.

No tocante ao primeiro; por crer em Cristo, eu quero dizer acreditar que Jesus é o Cristo, de que João fala em 1 Jo 5:1. O crer de todo o coração, de que Filipe fala em Atos 8:37. Aquele crer com o coração para justiça, de que Paulo fala em Rm 10:9-10. 

No tocante ao segundo; a confissão que Cristo exige dos homens que assim creram é confessá-lo, em seu Nome e nos Títulos com que seu Pai o honrou e o enviou, viz., Ser um salvador único e suficiente, e o Mediador de uma nova Aliança¹; como Rei, Sacerdote e Profeta. Um Sacerdote para comprar e redimir seu povo; um Profeta para ensinar e instruir aquele povo; e um Rei para proteger e defender o dito povo em sua obediência à verdade, revelada por ele enquanto Profeta e, por ele enquanto Rei, requisitada obediência. E assim como isso deve ser conhecido e crido da parte daqueles que esperam vida dele, assim também isso deve ser confessado, por meio de uma declarada sujeição a ele nessa mesma vida. A Regra de tal sujeição declarada e confissão é a norma instituída e administração da Aliança de Cristo; pois nenhuma outra confissão ele aprova, senão aquela que o toma por Jesus Cristo, o Filho de Deus, vindo em carne, morte e ressurreto, ascendido e exaltado à mão direita de Deus, ao trono de seu Pai Davi; e para ser, assim, Senhor dos Senhores e Rei dos Reis. […] Pois os benefícios de Cristo enquanto Mediador, e sua administração, e o estado, norma e regras daquela Aliança pela qual ele é Mediador, e os indivíduos participantes daqueles benefícios, andam juntos no registro da Escritura; de forma que, se não há batismo em Cristo, então não há confissão de Cristo, segundo esta prescrição, Mt 28:19; 1 Cor 12:13; Gl 3:27; Rm 6:3; Ef 4:5; Lc 7:30.

¹ No original, Testament. No vocabulário de Spilsbery, a palavra pode ganhar significado de “aliança”, como se vê algumas páginas antes, quando se refere a Cristo como “mediador deste Testamento [i.e., Aliança]”. 

Saint’s Interest, pp. 26-27.

O argumento de Spilsbery é bastante interessante e semelhante ao que Jamieson apresentou. O que ele nos diz é que aquilo que se crê acerca de Cristo deve também ser  publicamente confessado, e deve ser confessado nos termos estabelecidos pela Nova Aliança em Cristo. Esses termos, por sua vez, incluem o batismo, sinal da aliança no sangue de Cristo. O batismo, portanto, é a forma pela qual se manifesta a “sujeição declarada” do cristão. O cristão professa aquilo que crê sujeitando-se à ordenança do batismo, portanto, sem batismo, sem confissão. 

 

O problema da confessionalidade

Por fim, vamos à questão confessional. É verdade que as confissões batistas não especificam o batismo enquanto profissão de fé, mas uma análise atenta da Confissão de 1689 pode nos dar algumas pistas. Essas pistas não serão encontradas no capítulo sobre o batismo. Os signatários da confissão não tinham nenhum interesse em apresentar um entendimento radicalmente novo do batismo em oposição à WCF e da SD. Isso seria politicamente desastroso e teologicamente desnecessário. Como se sabe, as maiores modificações da confissão, tanto em relação à WCF quantoàquanto SD, se encontram no parágrafo sobre a doutrina da igreja, e para ali devemos nos voltar.

Os membros dessas igrejas são santos por chamado, manifestando e evidenciando visivelmente (em sua profissão e caminhada, e por meio delas) sua obediência àquele chamado de Cristo; e voluntariamente consentem em caminhar juntos, de acordo com a prescrição de Cristo; entregando-se a si mesmos ao Senhor e uns aos outros, pela vontade de Deus, em declarada sujeição às ordenanças do Evangelho. 

2LCF, XXVI, §6

A semelhança entre esse parágrafo e o argumento de Spilsbery é patente. A confissão afirma que os santos exibem visivelmente sua obediência por meio de sua caminhada e de sua profissão de fé. Essa obediência, por sua vez, se manifesta por meio da “declarada sujeição” às ordenanças do evangelho, i.e., ao Batismo e à Ceia do Senhor. Repare que a expressão “declarada sujeição” (professed subjection) é exatamente a mesma usada por Spilsbery. Significa que, no entendimento dos batistas, a sujeição ao batismo é, em si, a profissão de fé do regenerado, pois ao submeter-se à ordenança batismal ele evidencia sua obediência ao Senhor. É, portanto, na relação entre regeneração, membresia, batismo e confissão que deve ser buscado, em termos confessionais, o nexo entre o batismo e a profissão de fé.

*

COLLINS, Hercules. Believer’s Baptism from Heaven, and of Divine Institution; Infants Baptism from Earth and Human Invention. Londres, 1691.

______. An Orthodox Catechism: Being the Sum of Christian Religion, Contained in the Law and Gospel. Londres, 1680.

JAMIESON, Bobby. Going Public: Why Baptism Is Required for Church Membership. Nashville: B&H Publishing Group, 2015.

SPILSBERY, John. The Saints Interest by Christ in all the Priviledges of Grace. In: God’s Ordinance, the Saints Priviledge. Londres, 1646.

UMA CONFISSÃO de fé. Publicada pelos Presbíteros e Irmãos de muitas Congregações de Cristãos (batizados sob Profissão de sua Fé), em Londres e no Interior. Impressa em 1677 (2LCF). 

.: Hercules Collins na prisão e a defesa da Separação :.

Em 1684, Hercules Collins, preso em Newgate, escreve uma carta contendo reflexões sobre a igreja batizada, o rebanho de Cristo. Dentre várias passagens inspiradoras, Collins relembra às igrejas de sua separação da Igreja da Inglaterra, alertando para a importância de continuar defendendo a emancipação das igrejas batistas em relação à igreja nacional.

Ó! Agarrai-vos ao que tendes; pois ou tivestes, para vossa Separação em primeiro lugar, boa Razão ou nenhuma; se nenhuma,  se apenas depositastes vossa Fé na conta de outros homens, então descobristes um zelo sem conhecimento e Afecção sem Discernimento, e muita Tolice em operar uma Separação sem boas razões nas Escrituras; Mas, se vós tivestes boa Razão para a Separação, e se foi feita por um Juízo bem informado, então a Razão é boa ainda, e então continua [sendo] um dever manter Zelosamente o que Desposastes, e “eles voltarão a ti, mas tu não passarás para o lado deles” [Jeremias 15:19] […]

Voice from the Prison, p.10

*

COLLINS, Hercules. Voice from the Prison, or Meditations on Revelation III.XI: tending to the establishment of Gods Little Flock, in An hour of Temptation. Londres, 1684.

the many-headed monster

the history of 'the unruly sort of clowns' and other early modern peculiarities

The Virtue Blog

Blogging about the good life. Host of podcast, Sacred and Profane Love.

Pactualista

Subscrevendo a Confissão de Fé Batista de 1689

Crawford Gribben

on history, culture and religion

Queens' Old Library Blog

Rare Books and Manuscripts at Queens' College - University of Cambridge, UK

Petty France

Ressourcing Baptistic Congregationalist and Particular Baptist History

Reformed Baptist Academic Press

Uma imersão em Patrística Batista

Contrast

The light shines in the darkness, and the darkness has not overcome it

IRBS Theological Seminary

Training Ministers to Preach the Gospel (2 Timothy 2:2)

HangarTeológico

Uma imersão em Patrística Batista

The Confessing Baptist

Uma imersão em Patrística Batista

Reformed Baptist Fellowship

Reformational, Calvinistic, Puritan, Covenantal, Baptist

Reformed Baptist Blog

Uma imersão em Patrística Batista