O “Manuscrito Kiffin” (MS K)

Este documento erige a história dos primeiros Batistas Particulares de Londres, de 1633 à publicação da Confissão das Sete Igrejas, em 1644. Foram aqueles que lideraram esse grupo de igrejas, e Kiffin entre eles, que foram responsáveis por um programa nacional de evangelismo, plantação de igreja e desenvolvimento de associações durante o período dos 1640 tardios e 1650.

B. R. White, Who Really Wrote the “Kiffin Manuscript”?, p. 8.

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O assim chamado “Manuscrito Kiffin”, doravante MS K, é um dos documentos conhecidos mais importantes para o estudo histórico das origens batistas a partir da tese separatista-puritana. Apesar de todas as suas limitações, é um documento que registra o advento da prática imersionista entre os batistas e o surgimento daquelas que seriam, mais tarde, chamadas de Igrejas Batistas Particulares. Pretendo oferecer um breve histórico desse documento e, ao final, uma tradução do mesmo para a língua portuguesa.

A menção inaugural do manuscrito se deu no The History of the English Baptists, de Thomas Crosby. Há muitos problemas envolvidos na citação elaborada por Crosby do suposto manuscrito, mas isso merece uma atenção especial em outro momento. Por ora, eis a certidão de nascimento do manuscrito nos livros de história batista:

Isso está de acordo com um relato dado sobre a questão em um manuscrito antigo, que diz-se ter sido escrito pelo Sr. William Kiffin, que viveu naqueles tempos e era um líder entre aqueles daquela inclinação.

English Baptists, vol. 1, p. 101.

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O problema da relação entre Anabatistas e Batistas: Glen H. Stassen vs James M. Renihan

A relação entre os primeiros Batistas Ingleses e os Anabatistas Continentais (ou Menonitas) foi descrita por Ernest A. Payne, historiador da igreja Britânico, como “um problema histórico intrincado e espinhoso”.

Robert G. Torbet, A History of the Baptists, p. 23.

O problema da influência anabatista sobre o movimento batista tem sido discutido há – pelo menos – 400 anos. Mais recentemente, com a dilatação visível do movimento batista calvinista no Brasil, a polêmica frequentemente vai parar nos debates, quase sempre nada acadêmicos, das redes sociais. As discussões em torno do tema, quando conduzidas mais por apologistas do que por estudiosos, assume contornos apaixonados de afirmações do que se deseja acreditar e do que se espera ser verdadeiro, e não realmente de como as coisas são. Este é um primeiro artigo sobre um tema multifacetado e complexo, mas espero iniciar aqui um exame e um diálogo mais cuidadosos e mais rigorosos acerca da questão.

Em 1962, Glen H. Stassen prestou sua contribuição ao debate sobre a relação entre anabatistas e batistas por meio de um artigo intitulado Anabaptist Influence in the Origin of the Particular Baptists. O texto se divide em cinco partes e oferece inúmeras contribuições relevantes, mas aqui nos cabe tratar apenas da metade final do artigo, na qual Stassen procura compreender a fonte teológica da doutrina sobre o batismo que os Batistas Particulares desposaram a partir da década de 1640 e que se expressou de maneira mais clara na Primeira Confissão de Fé Londrina, de 1644/46.

Stassen afirma haver dois elementos principais na doutrina dos Batistas Particulares com relação ao batismo: a simbologia da morte, sepultamento e ressurreição de Cristo e os elementos da profissão de fé e discipulado.

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Glen H. Stassen: 5 motivos para o estudo histórico dos Batistas Particulares

Em um artigo seminal e controverso, intitulado Anabaptist Influence in the Origin of the Particular Baptists, ao qual ainda voltarei em breve, Glen H. Stassen apresenta cinco motivos pelos quais a historiografia sobre os batistas deveria passar por um tour de force e privilegiar a história dos Batistas Particulares, em detrimento dos batistas gerais. Transcrevo, em sequência, as notas de rodapé que julguei relevantes no texto original. Mantive a numeração original das notas de Stassen. Ao final, ofereço uma breve apreciação de suas ideias.

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William Whitsitt e a questão do batismo imersivo: história e historiografia de um problema

A história dos batistas sempre foi um objeto de estudo delicado, quase fugaz. O movimento batista nasceu dos esforços separatistas na Inglaterra do século XVII, sendo, portanto, um movimento ilegal em boa parte de sua primeira infância. Isso significa que os documentos históricos batistas, ao contrário dos registros anglicanos ou, eventualmente, presbiterianos, não se confundem com os documentos oficiais do estado, o que os torna, no mais das vezes, relíquias de difícil acesso. Um tesouro sem mapa, por assim dizer. Além disso, é frequentemente difícil compreender a complexa relação entre os pastores/teólogos batistas e os historiadores batistas que lhes sucederam. Historiadores interpretam os documentos a partir de sua ótica, o que por vezes lança luzes, mas por vezes lança cinzas, sobre a real natureza de alguns fenômenos eclesiásticos. Como resultado desse cenário indistinto, a compreensão da identidade batista requer mais do que uma investigação doutrinária, mais do que uma incursão histórica, ela requer também uma peregrinação historiográfica.

O problema do batismo imersivo nos oferece um bom exemplo.

Em 1896, William Heth Witsitt, então presidente do Southern Baptist Theological Seminary, em Louisville, KY, publicou uma obra cujo título se impõe: A Question in Baptist History: Whether the Anabaptists in England Practiced Immersion Before the Year 1641? Em suma, Whitsitt indaga

Se esse povo inglês adotou, pela primeira vez o batismo por imersão e, assim, tornou-se, no ano de 1641 ou por volta de, os primeiros Batistas?

(A Question, p. 5)

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