.:Indicação:. Matthew Bingham @ Regular Reformed Guys

Depois de alguns contratempos, o Regular Reformed Guys lançou seu podcast com a presença de Matthew Bingham como convidado. Sou um entusiasta do trabalho de Bingham, mas tenho algumas divergências consideráveis referente à sua obra Orthodox Radicals, que foi objeto da discussão do podcast. Decidi endereçar essas divergências em vias mais acadêmicas, o que significa que, provavelmente, isso ainda levará algum tempo. Para quem já leu seu livro, há pouco que o episódio possa acrescentar. Saliento apenas três pontos em sua fala:

  1. Finalmente Bingham ofereceu uma explicação verbalizada do título de seu livro (próximo aos 53 min.). Quando se intitula com um oximoro, literalmente, uma obra que pretende reinterpretar a história dos batistas, é de bom tom discorrer sobre ele. Nem todos os interessados são versados o bastante na história do protestantismo anglo-saxão seiscentista ou já passaram por outras obras concernentes ao assunto para que o título fosse intuitivo.
  2. Estou em pleno acordo com a diferenciação dos termos para nos referirmos aos batistas do século XVII e do século XXI. Por isso defendi a manutenção do termo Batistas Reformados hoje, embora eu defenda, ainda, o termo Batistas Particulares para o século XVII.
  3. “I don’t, personally, I don’t really want to hold step for step with the early modern people with everything, that was a very different context”. Amém! Estamos sempre negociando com a tradição, como diz Bingham. A tradição deve ser uma lâmpada, mas ela não é, e não pode ser, uma tirana.

 

Uma nota sobre os estudos batistas reformados

Samuel Renihan foi entrevistado recentemente pelo podcast Theology Driven. O tema foi, como seria de se esperar, os batistas do século XVII. Episódios de podcast como este estão por toda parte nos últimos anos.

https://www.podbean.com/ew/pb-yqn63-b9da7b

Eu mesmo já perdi a conta de quantas vezes escutei as mesmas perguntas e as mesmas respostas. Sem meias palavras, é frustrante. A impressão que se tem é que as duas únicas perguntas que hosts de podcasts se prestam a fazer aos Renihan são “de onde vêm os Batistas” e “existe relação entre eles e os Anabatistas?”. Diga-se de passagem, quem faz essas perguntas – e, eu apostaria, a maior parte de quem as escuta – já sabe a resposta.

Por que a insistência nesses pontos? Será que o universo Batista Reformado se resume a essa miséria de ideias? Será que não existe mais nada que possa ser explorado? Até quando vamos viver dessa terra arrasada de reflexões?

O que explica a persistência ad nauseam dessa questão? A resposta é muito simples e preocupante. Ela evidencia que o “público” Batista Reformado, isto é, os hosts de podcast, os teólogos de twitter e os controversistas de facebook não têm nenhum interesse real na tradição Batista Reformada, e mal se dão conta disso. Fato é que pouco lhes importa compreender e resgatar a plenitude e a essência das ideias, dos valores e das práticas dos batistas do século XVII. O que lhes importa mesmo é afirmar seu pedigree reformado. A luta toda, lamentavelmente, se reduz a comprovar aquilo que é menos relevante: que os batistas são provenientes da nobre estirpe dos Independentes. Sequências intermináveis de tweets são feitos todos os dias em defesa da veia reformada batista. Teses inteiras de PhD foram escritas, recentemente, com o único propósito de demonstrar o sangue azul dos batistas. Vaidades.

Não me entendam mal: os Renihan são responsáveis pelos mais relevantes trabalhos até hoje já elaborados e em elaboração sobre o que realmente importa: a tradição dos valores e práticas batistas. Eles não são o problema, são a solução. O problema é a geração, geralmente jovem, de “Batistas Reformados de jaula” que desejam apenas ver afirmada e legitimada sua identidade aristocrática.

Acontece que essas questões só podem despertar um interesse espumante naqueles que não têm problemas pastorais reais para enfrentar. Não é o caso dos Renihan, e por isso suas obras vão sempre muito além dos interesses superficiais dos militantes. Há inúmeras perguntas relevantes que podem ser feitas e que parecem, apenas parecem, ter respostas óbvias. Em que medida a igreja participa do processo disciplinar? O batismo é realmente necessário para a membresia? Quais são os modelos de evangelização missional? Como entender a ação social da igreja? Qual a extensão da influência das associações sobre as igrejas locais? Pressupor que suas respostas estejam dadas é um erro terrível, é cair na armadilha de imaginar que as respostas da tradição são aquelas que gostaríamos que fossem, ou que nos parecem mais provável que sejam. A melhor obra a abordar alguns desses problemas é Edification and Beauty, de James Renihan. Em breve, como comentou no podcast, Samuel Renihan lançará uma obra sobre a igreja de Petty France, em que certamente alguns desses tópicos serão esclarecidos. É radicalmente sintomático, e pesaroso, que Sam tenha dito, em tom humilde e jocoso, que essa obra se trata de um “nerd book”. Não é. É o que mais nos deveria interessar. É onde, de fato, residem as questões relevantes. Um corpo de presbíteros se debruça muito menos sobre a natureza da Aliança Abraâmica e muito mais sobre a ordem de culto, sobre a conduta de seus membros, sobre as aflições de suas ovelhas.

Enquanto os Batistas Reformados insistirem em questões mesquinhas, que mais parecem refletir corações encharcados de orgulho do que de piedade, o interesse histórico e teológico sobre a vida e prática batista jamais romperá a barreira da disputa de egos. É preciso seguir em frente. É preciso investigar com liberdade. É preciso compreender a tradição plenamente. É preciso ser pastoral.

 

P.

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